Rafa Kalimann conta como mudou hábitos, mente e corpo

Rafa Kalimann conta como mudou hábitos, mente e corpo

A mulher plena e confiante que aparece em fotos de biquíni em suas redes sociais ganhando biscoitos, curtidas e aplausos nem sempre esteve ali. Há alguns anos, Rafa Kalimann não ia sequer à piscina com amigos. O motivo cala fundo nas inseguranças de mulheres do mundo todo: vergonha do próprio corpo. Desde adolescente, a mineira Rafa sonhava ser modelo. Com 14 anos, mudou-se para São Paulo atrás desse sonho, mas esbarrou em centímetros a mais nos quadris, maiores do que os esperados nas passarelas. Mais de meio século depois de a Miss Brasil Martha Rocha terminar o concurso de Miss Universo em segundo lugar, em 1954, porque tinha duas polegadas (5 centímetros) a mais de quadril do que a americana Myrian Stevenson, mulheres como Rafa ainda se veem presas a medidas impossíveis para a maioria.

A apresentadora do Rede BBB e atriz estreante da minissérie sensação da Globoplay “Rensga Hits”, conversou com o EU Atleta sobre padrões de beleza, dieta, treinos, autocuidado e busca da saúde física e mental. Você confere os melhores momentos do papo no vídeo abaixo e, em seguida, mais da conversa com a Rafa, seus exercícios e a receita do seu lanche saudável favorito: panqueca de banana com aveia.

Rafa Kalimann fala sobre alimentação, treinos, emagrecimento e autocuidado

– Eu fazia várias dietas mirabolantes, tinha uma resistência com meu corpo muito grande, porque dentro desse padrão que foi estabelecido, estético, de modelo, meu corpo nunca chegou às medidas necessárias pelo meu biotipo. Porque não existe respeito ao biotipo de cada um, você tem que ter aquilo ali. Existe um número, existe uma fita métrica – relembra ela, dona orgulhosa de atuais 108 cm de quadril, quando uma modelo não pode ter mais de 90 cm. – A gente foi rendido, vamos colocar assim, a um padrão estético que limitou a gente, nós, mulheres, desde sempre.

Hoje a apresentadora do último Rede BBB está em paz com suas formas, recentemente esculpidas por sessões de treinos com o personal trainer Zeus e por uma reeducação alimentar que começou há um ano, quando ela cortou a carne vermelha e reduziu álcool, glúten e lactose. Nos últimos seis meses, Rafa perdeu 10 kg, e agora ostenta 67 kg bem distribuídos por 1,73m. E está feliz com o resultado, ao contrário da Rafa de alguns anos atrás, que provavelmente ainda estaria atrás de reduzir medidas.

Rafa Kalimann de sorriso aberto durante a entrevista — Foto: Eu Atleta

– Cresci uma mulher que tinha um bloqueio imenso com meu próprio corpo, que não conseguia enxergar ele com o carinho que ele merece, com o respeito que eu tenho que ter com ele – lembra a influencer. – E aí eu cheguei a uma fase de maturidade de me questionar: por que que eu estava sentindo aquilo? Quando eu tirava uma foto do meu ângulo, no meu telefone, pra eu postar, eu gostava, porque eu tinha controle sobre. E quando eu estava com os meus amigos, pessoas que jamais me julgariam, eu não me sentia liberta pra viver, pra mostrar esse corpo, pra mostrar como eu sou de fato.

Não foi fácil, mas a Rafa de hoje, aos 29 anos, está confortável dentro de sua própria pele.

– Tô chegando aos 30, eu estou adorando isso, adorando usar essa frase: estou chegando aos 30. Acho que estar chegando aos 30 está me dando mais consciência, mais maturidade. Dando o peso certo para essa questão. Nem mais, nem menos. Olhando com respeito, olhando com cuidado para mim, para o meu corpo, mas não dando mais peso do que precisa, sabe? – comenta Rafa, que tem abraçado a espontaneidade e chegou a interromper o papo encantada com uma joaninha que pousou em sua mão. – É sinal de sorte!

Rafa Kalimann treina no jardim de sua casa — Foto: Eu Atleta

O primeiro passo para mudar seu modo de se enxergar e cuidar de sua saúde mental foi a terapia. Mas tudo começou no consultório de uma nutricionista, que olhou para Rafa e disse: “Você não precisa de mim. Não agora. Você vai precisar de mim em breve, mas agora você vai precisar de uma terapeuta”.

– Ela sacou que tinha algo errado na maneira como eu me via – lembra. – Não tem padrão pra nossa insegurança. Existe essa pressão estética dentro de um padrão. Mas todas nós, se a gente não se olha com carinho, independente de como a gente é, independente de como são as nossas curvas, independente de como é a nossa altura, independente do nosso biotipo, independente de como seja, se a gente não se olha, de alguma maneira aquilo nos afeta. Então não dá pra gente descredibilizar essa insegurança na outra mulher.

Mas dá para sacudi-la. E foi o que a terapeuta da Rafa fez.

– Eu lembro que na nossa primeira dinâmica na terapia foi eu me olhar no espelho e me elogiar. E foi a mais difícil. Elogiar as partes do meu corpo, elogiar como meu corpo funciona, elogiar meu intestino, elogiar minha circulação, elogiar como meu sangue passa nas veias. Elogiar cada pedacinho de mim, o fio do meu cabelo, elogiar as minhas espinhas, elogiar! Aquilo foi tão difícil e tão libertador ao mesmo tempo – conta ela.

Panqueca de banana com aveia acompanhada por frutas e bolinhos de maçã: lanche pré-treino de Rafa Kalimann — Foto: Eu Atleta

Em 2021, Rafa começou algumas mudanças. Cortou a carne vermelha, principalmente, e diminuiu o consumo de álcool ao perceber que, como aconteceu com muita gente, havia aumentado bastante durante a pandemia, quando estava em isolamento em casa. Depois disso, durante o Rede BBB, ainda na preparação, foi parar no hospital com uma infecção.

– E aí pensei que para conseguir passar por essa maratona bem, disposta, porque é uma maratona real, são três meses intensos, eu preciso me alimentar bem, eu preciso dormir bem, eu preciso focar. Comecei a levar minhas marmitinhas para o estúdio, coisa que eu não fazia antes, comecei a ter uma rotina, quando eu não tinha uma rotina.

E ter uma rotina se mostrou algo bem-vindo, que começou a deixar a vida dela melhor.

– Eu falo que é um vício bom. Você se cuidar é um vício bom. Eu tinha muitos bloqueios. Eu achava que era chato, eu achava que era cansativo, eu sempre deixava pra depois. Eu fazia tudo no meu dia, mas quando pensava na possibilidade de ter que treinar ou começar uma dieta… Começar uma dieta é uma coisa tão… A palavra dieta fica num lugar tão longe, tão chato! E aí você começa a entender o que é reeducação alimentar. Você começa a aprender a olhar para um alimento não pensando no quão ele é gostoso, mas o quão gostoso ele vai te fazer – comenta.

E passa a achar comidas que não comia antes deliciosas. Rafa agora não dispensa a sua panqueca de aveia e banana, por exemplo. Virou seu lanchinho favorito, feito por Kelly Carneiro, mulher de seu primo, que mora e trabalha com ela.

Receita da panqueca de banana com aveia da Kelly

  • 1 ovo
  • 1 banana madura amassada
  • 1 copo de aveia em flocos
  • 1/3 de xícara de leite (pode ser leite vegetal)
  • 1 pitada de fermento em pó
  • Opcionais: sementes de chia ou linhaça, quinoa, uvas-passas, damascos, canela.

Modo de preparo: misture bem todos os ingredientes com um garfo e coloque a mistura em uma frigideira untada (na casa dela, usa-se óleo de coco) tampada com fogo baixo.

No dia da entrevista, a panqueca levava, além dos ingredientes obrigatórios, quinoa e uvas-passas. Até porque passas não podem faltar na versão de Rafa. Essa receita faz parte das descobertas que ela passou a ter quando tirou a carne vermelha e se permitiu uma dieta mais variada e colorida.

– Acho que a tirada do consumo da carne vermelha fez eu prestar mais atenção ao que eu comia porque eu senti o impacto no meu corpo. Eu pensei, um alimento faz tanta diferença assim? Faz diferença no meu intestino, faz diferença no meu sono. Se um alimento faz isso, imagina todos os que a gente consome todos os dias – pondera. – E quando você vai escolher um alimento, você escolhe sabendo o benefício ou o malefício pro seu corpo. Isso foi uma construção, não foi uma ruptura pra uma dieta diferente. Foi gradativo, foi somando à minha rotina. Não deixo de comer as coisas que eu gosto, não deixo de tomar o sorvete que eu adoro, de comer uma pizza. Só fui aprendendo a equilibrar isso no meu dia a dia, a fazer escolhas melhores.

Rafa também está tirando o frango e o peixe, aos poucos. E diminuiu glúten e lactose, que reduz ainda mais quando sente que o corpo está inflamado, inchado, com retenção de líquido.

– O corpo dá sinal o tempo todo. Se a gente estiver atento para ouvir o que ele tá falando, ele dá sinal no seu sono, ele dá sinal na sua imunidade, ele dá sinal na voz, na pele, no cabelo – diz.

Rafa Kalimann faz exercícios em seu jardim: a apresentadora não se sente estimulada na academia, prefere treinar em casa — Foto: Eu Atleta

O corpo também pede para se movimentar, mas muita gente não escuta. A apresentadora tinha essa surdez seletiva. Há quase um ano, ela conheceu o personal trainer Zeus e voltou gradativamente a ouvir suas pernas e braços pedirem para se mexer.

– Todo mundo sempre falou pra mim: “você tem que achar um esporte que você ame”. Ainda estou em busca dele! – brinca ela. – Nunca fiz esporte nenhum, não tenho aptidão pra nenhum deles, sempre fui sedentária. E coloquei isso na minha cabeça como uma verdade absoluta também: “Não gosto, não insistam pra eu fazer que eu não gosto de fazer”. Aí eu conheci o meu personal, que vem aqui em casa, e pensei, vou ter que fazer alguma coisa, nem que sejam 20 minutos. E ele consegue falar comigo de forma leve. Então quando eu tirei de mim a pressão estética, essa pressão de que eu vou fazer academia pra ficar sarada e mudei pra eu vou fazer o treino para eu me sentir bem, para estar disposta, para ter energia, tudo mudou, inclusive o resultado.

Aprenda exercícios do treino de Zeus, personal trainer de Rafa Kalimann

Aprenda exercícios do treino de Zeus, personal trainer de Rafa Kalimann

Afinal, ela ficou sarada. E o treino dela não é fácil, não. Mas nem sempre Rafa o faz completo. Quando cansa, avisa a Zeus e ele respeita, o que foi fundamental para que ela não abandonasse os treinamentos depois de poucos dias, como sempre acontecia antes. No dia da gravação, os exercícios foram os seguintes:

Rafa Kalimann faz agachamento isométrico segurando halteres — Foto: Eu atleta

  • Agachamento isométrico mantendo 3 segundos embaixo – 12 repetições
  • Bíceps com desenvolvimento, segurando halteres – 10 repetições
  • Abdominal remador alternado – 16 repetições

Rafa Kalimann faz o recuo alternado segurando halteres: observada por Zeus, seu personal trainer, e rodeada pelos cães Troy e Alfredo — Foto: Eu atleta

  • Recuo alternado – 20 repetições
  • Abdução de ombro – 10 repetições
  • Abdominal vela – 12 repetições

Zeus orienta a prancha ventral de Rafa — Foto: Eu atleta

  • Stiff – 12 repetições
  • Supino – 12 repetições
  • Prancha – 30 segundos

A ideia era repetir cada série três vezes, mas Rafa fez uma série de cada bloco e pediu para encerrar. Vinha de uma semana cansativa de trabalho e não queria forçar o corpo além do que ele podia dar.

– Eu gosto do treino hoje, acho gostoso. Coloca uma música, liga um pagode… Mas se é para ir para academia, e de vez em quando eu vou para fazer companhia pra alguém… Eu sinto que eu não gosto mesmo. Eu volto frustrada, sinto que não treino bem, não é um ambiente em que eu me sinto confortável. E é isso, acho que cada um encontra o seu lugar.

Rafa Kalimann no aquecimento para o treino — Foto: Eu atleta

Outra mudança fundamental foi no sono. Até ano passado, Rafa não se lembra de uma fase da vida em que dormisse antes da meia-noite e acordasse cedo de bom humor.

– Sempre fui péssima no sono. Sempre dormi pouco, sou muito acelerada, e à noite é o horário que o meu cérebro… Eu achava que era o horário que o meu cérebro mais funcionava, então eu nem queria me desligar. Eu achava que aquilo era produtivo pra mim. E não é. Pelo contrário, se você não descansa, sua mente para de trabalhar – diz ela, que percebeu que precisava mudar por causa dos horários das gravações. – Quando eu parei de não ter opção justamente por ter uma rotina de gravação, que eu precisava estar bem no outro dia em tal horário, comecei a me forçar a descansar. Então eu comecei a virar a chavinha. Assim, eu desligava a TV, ficava tentando não mexer no telefone… Coisa mais clichê, né? Todo mundo fala isso. Mas é real.

Junto, veio o hábito de trocar o celular e a TV por um livro. Começou à noite, mas se estendeu por outros momentos do dia.

– O celular tinha muito mais de mim do que a leitura. E eu comecei a trocar. Não só na hora de dormir, mas no decorrer do dia. Eu falo: ‘Pelo menos 15 minutos do dia eu vou parar pra ler, nem que seja, sei lá, três páginas desse livro que eu quero muito ler’. Também porque é uma maneira de você se desligar de tudo. Eu falo que a gente está no meio de um atentado tecnológico, que te cobra muito o tempo todo, principalmente trabalhando com isso. Então você sair um pouquinho daquilo pra viver uma outra história de alguém que você encontra no livro te desconecta, te faz ver de fora também.

Ela se define como “workaholiczona”. No momento, está encantada com sua primeira oportunidade como atriz, na minissérie da Globoplay “Rensga Hits”. E entre aulas de interpretação e de inglês, gravações, entrevistas, editoriais de moda e viagens, diz que aprendeu finalmente a delegar funções, embora tenha sido seu maior desafio nos últimos três anos.

– Sou muito controladora. Ou era. Acho que sou ainda. De querer fazer, querer colocar a mão na massa em todos os lugares do meu trabalho, estar sempre muito presente.

Mas delegar deu a ela mais tempo para se encontrar.

– Sou uma pessoa que anota tudo em uma agenda no domingo à noite, o que vai rolar durante a semana. Quando acordo de manhã, vou no meu bloco de notas e coloco as minhas obrigações por tópicos; mas, dentro delas, sempre coloco o cuidado comigo. Eu colocava meus afazeres diários à frente de tudo. Deixava de me divertir, de criar coisas diferentes e isso afeta seu lado criativo, sua espontaneidade, sua alegria, sua leveza, o brilho. Tento não deixar esse lado profissional, dessa Rafa ‘workaholic’ ser predominante naquilo em que eu sou em essência.

Alfredo, ganhando carinho de Zeus, e Margarethy são dois dos cinco cães de Rafa, donos dos seus melhores sorrisos — Foto: Eu atleta

E por falar em alegria, leveza e brilho, Rafa é mãe de cinco cachorros que fazem seus dias sempre melhores. A lulu da Pomerânia Luna, o golden retriever Alfredo, a terra-nova Fofoca, o samoieda Troy e a caramelinho sem raça definida Margarethy são os donos da casa e dos melhores sorrisos de sua tutora.

– É um momento de meditação pra mim quando vejo eles. Eu paro e parece que nada existe em volta. Só aquele amor ali. É tão gostoso, é um amor tão gratuito, sem interesse… Eu treino com eles. Ficam sentados me olhando – conta, rindo.

Outra coisa que a faz sorrir é a sensação de que o mundo tem mudado para melhor, mesmo que bem devagarinho, no que diz respeito à libertação das mulheres dos padrões.

– A gente tá tendo mais acesso a referências diferentes. E isso é lindo. A gente tinha antes, justamente dentro dessa criação, dessa padronização estética, tinha as capas das revistas… Era sempre de um jeito só, e sempre foi mostrado a nós que a beleza vinha daquele lugar. Mesmo mudando de eras, e às vezes mudando esse padrão, era sempre um padrão, ali, colocado à mesa, colocado à nossa frente. E eu acho que hoje não, acho que hoje a gente está tendo acesso a diferentes referências e sendo influenciadas por mulheres, cada uma do seu jeito, na sua unidade, nas suas curvas. Eu adoro quando abro uma revista e vejo mulheres tão diferentes falando de coisas diferentes, sendo o que elas são, mostrando quem elas são e eu acho que isso vai ter um reflexo positivo ali na frente, nas novas gerações. Eu espero, né, pra minha filha, pro meu filho. Eu espero.

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