Merge do Ethereum tem data confirmada: veja 12 perguntas e respostas sobre a atualização

Merge do Ethereum tem data confirmada: veja 12 perguntas e respostas sobre a atualização

Desde junho, o Ethereum (ETH) navega na expectativa de uma importante atualização que teve finalmente sua data confirmada: a Merge (fusão, em português) será finalizada entre os dias 10 e 20 de setembro, anunciaram nesta semana os desenvolvedores por trás do projeto.

A atualização é considerada por alguns especialistas como a mais importante da história das criptomoedas. Em parte pelo tamanho do Ethereum, que é a segunda cripto com maior valor de mercado (US$ 198 bilhões em 26 de agosto), mas também porque nunca ninguém tentou algo parecido.

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Planejada há pelo menos cinco anos, a atualização irá mudar a regra que norteia o sistema de mineração, com impactos ecológicos, pela redução drástica da energia consumida pela rede; e econômicos, com uma nova dinâmica de uso do ETH, que ganha uma ferramenta oficial de renda passiva.

Mas, como quase tudo em cripto, o tema é complexo e muitas dúvidas podem surgir em torno do assunto. Confira, a seguir, tudo o que você precisa saber sobre a novidade.

1) O que é a Merge do Ethereum?

A atualização envolve uma mudança no modelo de consenso da blockchain do Ethereum, alterando as regras do mecanismo de verificação de dados.

A rede passará de um modelo de prova de trabalho (Proof-of-Work, ou PoW) similar ao do Bitcoin, para um de prova de participação (Proof-of-Stake, ou PoS), considerado mais ecológico.

Esperada há pelo menos cinco anos, essa novidade começou a ser implementada ainda em 2020, com o lançamento da Beacon Chain, uma rede que roda em paralelo desde então já no modelo de Proof-of-Stake.

Essa rede será unificada com a principal, daí o nome de “fusão”.

2) Mas, afinal, o que a mudança de PoW para PoS significa?

A mudança altera completamente o modelo de participação na rede, abandonando o sistema tradicional de mineração. Nele, mineradores precisam concorrer uns com os outros por uma chance de verificar dados e serem recompensados em ETH. Para isso, é preciso usar equipamentos super potentes que gastam muita energia.

O PoS, que o Ethereum está prestes a implantar, tem uma lógica diferente. Em vez de exigir que os participantes comprem máquinas de mineração sofisticadas, o algoritmo pede para eles “armazenarem” no mínimo 32 ETH na rede para credenciar o computador a trabalhar na confirmação de transações. Em troca, o validador recebe unidades de ETH como recompensa.

3) Por que ela é importante?

Um dos argumentos mais fortes para a atualização é ambiental. De acordo com desenvolvedores do Ethereum, a migração para o modelo PoS fará a rede consumir 99,9% menos energia, já que a exigência de poder computacional será muito menor.

“Os validadores não vão mais precisar fritar o seu computador para fazer uma prova de trabalho (cálculo matemático complexo), mas sim ter uma quantidade de moedas para participar da validação dos blocos”, explicou Solange Geiros.

No entanto, há também consequências para a economia interna do projeto, com a introdução do sistema de staking.

4) O que é o staking e por que ele muda o Ethereum?

O staking cria um incentivo para que a criptomoeda ETH se mantenha “trancada” no software de validação, criando uma solução oficial de renda passiva. Em troca do ETH bloqueado na conta, o validador aumenta suas chances de conseguir verificar transações a cada 12 segundos, em tese aumentando suas recompensas ao longo do tempo – ou seja, quem tem ETH pode deixar o criptoativo rendendo.

O mínimo para participar é 32 ETH, mas as chances de obter recompensas aumentam conforme o valor depositado. Por isso, espera-se que os validadores tranquem muito mais ETH na rede para se credenciarem e participarem da validação.

Como consequência, especialistas apontam que a oferta da criptomoeda no mercado deve cair, o que pode favorecer um aumento de preço se a demanda se mantiver a mesma ou aumentar ao longo do tempo.

“Do ponto de vista financeiro, a emissão líquida de oferta [de ETH] será líquida negativa”, disse ela. Em outras palavras, há esperança de que o ETH possa se tornar um ativo deflacionário, tornando-o mais valioso ao longo do tempo, afirmou Katie Talati, diretora de pesquisa da empresa de investimentos Arca, em entrevista ao CoinDesk.

“Você verá a oferta circulante de [ETH] aumentar com o staking, mas na verdade não estará disponível para venda”, disse ela.

5) O que muda para o investidor?

Quem é investidor de Ethereum não precisa fazer nada para participar da atualização, já que ela é feita nos bastidores pelos participantes da rede, e deverá ser acompanhada pelas plataformas que conversam com ela, como exchanges, carteiras e aplicativos.

Segundo especialistas, no entanto, é recomendável, como precaução, evitar realizar transferências em momentos críticos da atualização – mais especificamente por volta das 8h30 do dia 6 de setembro, e a partir de 21h do dia 14 (horários de Brasília). A medida vale tanto para o ETH quanto para moedas que rodam na rede, como LINK, UNI, entre outras no padrão ERC-20.

Algumas exchanges adotarão a medida de antemão e suspenderão transações de ETH e tokens do tipo – então se sua corretora emitir um aviso de bloqueio de depósitos e saques, não se assuste.

Os tokens ETH já existentes também serão automaticamente compatíveis com a nova rede após a atualização, então quem tem a criptomoeda hoje não precisa fazer nada. No entanto, é possível que detentores do ativo percebam a chegada de uma nova moeda na carteira logo após a conclusão da atualização, proveniente do possível surgimento de uma nova rede.

6) Por que pode surgir uma nova rede?

Mineradores dissidentes, insatisfeitos com o abandono do sistema atual de mineração, planejam continuar trabalhando mesmo após a atualização. Na prática, eles farão uma alteração em seu software e manterão as máquinas ligadas normalmente, como se nada tivesse acontecido. Como consequência, criarão uma nova rede bifurcada da atual – o processo é chamado de fork, ou hard fork.

A possível nova rede deverá ter o nome de Ethereum PoW. Se ela de fato vir à tona, deverá entregar seu token ETHW para todos os detentores atuais de ETH, em uma paridade de um para um, logo após o surgimento dessa blockchain.

“É muito difícil que essa moeda tenha uma sobrevida muito longa, por conta da falta do ecossistema onde ela será utilizada. Os casos de uso migrarão junto com o Ethereum”, explicou o engenheiro especialista em blockchain, Edilson Osorio, em entrevista ao Cripto+.

7) Como ganhar os tokens ETHW?

Não há garantias de que a criptomoeda nova tenha algum valor, mas o usuário também não perde nada se a mantiver na carteira esperando que seu preço eventualmente suba no futuro.

Para ganhar os tokens ETHW, a plataforma que hospeda o ETH deverá oferecer suporte para o novo criptoativo. Por ora, as exchanges Poloniex, Bitfinex e Binance já anunciaram que vão oferecer suporte ao token – seus usuários, portanto, deverão receber o ETHW de graça automaticamente.

Além disso, a Coinbase anunciou que estudará a possibilidade de oferecer suporte a tokens derivados do Ethereum após a atualização. Mas, ainda não está claro se carteiras como a MetaMask, assim como demais corretoras, irão facilitar a distribuição (airdrop) do novo ativo digital caso ele surja.

8) O Ethereum vai valorizar?

O ETH chegou a disparar quase 100% desde junho, quando o principal desenvolvedor por trás do Ethereum aventou que a atualização chegaria em setembro. Seu preço já recuou desde então, mas ainda acumula alta de cerca de 60%.

Especialistas ouvidos pelo InfoMoney acreditam, no entanto, que a criptomoeda pode não valorizar ainda mais no curto prazo. “Eu acredito bastante que logo após a Merge podemos ter uma queda considerável”, falou Ney Pimenta, CEO do marketplace de criptomoedas BitPreço, no programa Cripto+.

No longo prazo, no entanto, a situação é diferente. Pimenta disse que após a Fusão o mercado pode ver um crescimento proporcionado pela atualização, especialmente em aplicações de finanças descentralizadas. Além disso, falou, novas mudanças planejadas para o futuro do projeto deverão impactar nos custos de operação da rede, e atrair mais usuários.

Portanto, finalizou ele, o Ethereum continua na lista de criptoativos com alto potencial de valorização ao longo dos anos. Os mais otimistas dizem até mesmo que o ETH pode superar o valor de mercado do BTC em 12 meses.

9) Vai ficar mais barato usar o Ethereum?

O Ethereum é conhecido por cobrar alto para transacionar na sua rede: em momentos de alta do mercado, é possível pagar até US$ 100 por uma operação de contrato inteligente. A promessa é que isso seja resolvido também com uma atualização – mas não será a Merge.

A atualização do Ethereum que ocorre em setembro também não deixará o Ethereum mais rápido. Após a Fusão, a rede deverá ficar apenas cerca de 1 segundo mais veloz para confirmar transações (de 13 para 12 segundos por bloco de dados), mas sequer esse ganho é certo, pois depende de outros fatores.

Tanto a redução nas taxas de rede quanto a velocidade da blockchain serão afetadas por mudanças planejadas apenas para 2023, em uma série de cinco atualizações. Essas alterações no projeto, assim como o lançamento da Beacon Chain em dezembro de 2020 e a Merge de setembro deste ano, fazem parte do que se chama de Ethereum 2.0.

10) Qual é a data para a Merge?

A atualização do Ethereum já tem data marcada pelos desenvolvedores – mas não é tão simples assim saber exatamente quando ela será finalizada, porque é feita em etapas.

A Merge começa em uma rede paralela que será fundida à principal – daí o nome de “fusão” – chamada Beacon Chain, que existe desde dezembro de 2020.

A atualização Bellatrix, que dá o gatilho para o processo, será ativada na Beacon Chain por volta das 8h30 (horário de Brasília) do dia 6 de setembro. A partir daí, tem início um processo gradual que deverá durar alguns dias e ser finalizado entre 10 e 20 de setembro.

Segundo os desenvolvedores do Ethereum, espera-se que a atualização seja concluída nos dias 15 ou 16 de setembro.

11) Por que a Merge requer etapas?

As inúmeras etapas que envolvem a Merge estão relacionadas ao alto nível de complexidade da atualização.

Para abandonar a mineração, o Ethereum requer uma mudança em um software difícil de alterar, porque é criado para ser inviolável.

Ao contrário do que acontece com o sistema operacional do celular, por exemplo, que é atualizado diretamente pela fabricante, o software do Ethereum precisa ser atualizado individualmente por todos os participantes da rede – em resumo, eles precisam entrar em consenso de que usarão a nova versão, desenvolvida em código aberto.

Atualizações em blockchains são chamadas de forks, termo que se refere a uma bifurcação da rede. Na prática, é isso o que acontece: quando os participantes concordam em atualizar, todos migram juntos para uma nova rede, trazendo consigo a cópia do que já havia sido registrado na cadeia anterior.

No entanto, no caso da Fusão do Ethereum, o procedimento é um pouco distinto: é a primeira vez que uma blockchain muda apenas o mecanismo de validação, e mantém todo o resto, incluindo aplicativos de NFTs e DeFi, intactos.

“Estão trocando o pneu do carro com o carro andando. É para ser demorado mesmo, para tomar cuidado”, explicou a desenvolvedora e professora de blockchain Solange Gueiros, da Chainlink Labs, durante participação no Cripto+.

12) O que acontece se der errado?

A chance de a Merge dar errado é remota, segundo especialistas, mas existe. Não à toa, a exchange Bitfinex já anunciou um plano para evitar possíveis problemas e garantir que os usuários não serão afetados por uma possível falha na atualização.

Como precaução, a corretora lançou novos tokens sintéticos de Ethereum que permitirão que os usuários negociem normalmente mesmo sem saber se a Merge dará certo: “ETH PoW” e “ETH PoS”, nomes que fazem referência aos sistemas antigo e novo do Ethereum.

A corretora terá pares de negociação desses dois tokens. Se tudo correr bem, o primeiro irá expirar sem valor, e o segundo será trocado por ETH “original” após a atualização.

Se houver algum problema e a migração não acontecer, o ETH PoS será levado a zero, e o ETH PoW será substituído por ETH.

Em um terceiro, cenário, se a atualização for bem sucedida e também surgir uma nova rede, ambos os tokens serão mantidos nas contas dos usuários. Eventualmente, eles serão trocados por versões originais de cada ativo digital.

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