Cruzeirense adota Atltico como segundo clube em homenagem ao pai falecido

foto: Reproduo

Francisco Xavier (esq.) e Fbio Santana (dir.): pai atleticano e filho cruzeirense

Neste domingo (14/8), uma histria comovente chamou a ateno dos torcedores mineiros nas redes sociais. Em lgrimas, o gestor comercial Fbio Santana (34) aparece vestido com a camisa do Cruzeiro em uma loja do Atltico. Ao retirar a blusa celeste e vestir uma do Galo, o torcedor afirma que, em homenagem ao pai falecido, Francisco Xavier Ferreira da Silva, passar tambm a torcer pelo Alvinegro.

 

 

Fbio Santana contou a histria ao Superesportes. “Meu pai conseguiu unir as torcidas pelo respeito. O amor de um pai e filho rompeu a rivalidade”, enfatizou.

Conhecido na famlia como “Tio Quim” e pelos amigos como “Chico”, Francisco Xavier foi um homem de origem simples, com virtudes trabalhadoras – assim como milhes de outros brasileiros. Nas palavras do filho, o pai era exemplo de solidariedade. “Sempre foi um cara que AMAVA servir, ajudar. Odiava conflito”, disse ao Superesportes.

“Tudo dele girava em torno do Galo, f (era muito catlico), servio comunitrio e tudo relacionado a nibus e caminhes. Ele trabalhou com transporte a vida toda”, acrescentou.

 

Chic
foto: Reproduo

Chico era atleticano fantico

Francisco Xavier faleceu aos 63 anos por um mal sbito enquanto dirigia um caminho a caminho de Uberlndia. Na madrugada do ltimo sbado (13/8), o motorista foi a bito ao volante, e o veculo acabou saindo da pista.

“Meu pai teve uma histria muito dura. Nasceu no interior de Minas Gerais, trabalhou no campo muito tempo e, depois que se casou, veio para BH com minha me, uma mala e disposio para trabalhar. Arrumou vrios empregos diferentes at entrar em uma empresa de nibus. A antiga Impala. Trabalhava durante a noite e de dia descansava. Tambm trabalhava na construo da nossa casa”, contou Fbio ao Superesportes.

“Conseguiu o lote onde moramos a vida toda atravs de uma troca por uma linha telefnica que ganhou em um sorteio, em um posto de gasolina onde ele abastecia os nibus da empresa. Em resumo, trabalhava na empresa durante a noite e, durante o dia, fazia servio de pedreiro nesse lote. Morou apenas em um cmodo com um banheiro, com piso de terra batida. Toda a infraestrutura bsica era de doao (gua, energia, etc.)”, completou.

Como o filho se tornou cruzeirense?

Fbio explica que, em virtude do dia a dia atarefado do pai e da proximidade com vizinhos e amigos de escola, acabou desenvolvendo afeio pelo Cruzeiro na infncia humilde. A princpio, Chico se lamentou pela escolha do filho, mas, depois, passou a assimilar melhor a situao.

 

“Quando eu era pequeno, eu no pude conviver muito, porque quando ele chegava do trabalho, eu ia para escola. E quando eu chegava, ele estava indo para o trabalho. Assim, eu acabei me tornando cruzeirense por convivncia com os amigos da rua e escola”, explicou Fbio.

“Ele sempre se lamentou por eu ter virado cruzeirense, mas quando comecei a ir no campo e acompanhar o Cruzeiro, foi inevitvel. No tinha como, amava demais o Cruzeiro. Com o tempo, as coisas foram melhorando”, acrescentou.

O gestor comercial endossou a forte ligao que desenvolveu com o clube celeste ao longo da vida. Cruzeirense fantico, ele participou, inclusive, de aes de marketing da Raposa.

“Eu tenho muitos eventos marcantes com o Cruzeiro. Joguei no primeiro campeonato do scio-torcedor na Toca, no time do Leandro Bochecha (campeo da Trplice Coroa com a Raposa em 2003). Fiz um gol de pnalti. Fui no camarim do Dinho Ouro Preto pelo Cruzeiro em um jogo da Copa na Fifa Fan Fest, no Mineiro, em uma ao de marketing”, relembrou.

 

F
foto: Reproduo

Fbio participou do primeiro campeonato de scios-torcedores promovido pelo Cruzeiro

Em a
foto: Reproduo

Em ao de marketing do Cruzeiro, Fbio conheceu Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial

 

Deciso de torcer para o Atltico

Ao Superesportes, Fbio detalhou a homenagem ao pai. Ele refora que no deixar de torcer pelo Cruzeiro, mas que, a partir de agora, tambm apoiar o Galo – com exceo dos dias de clssico entre os rivais.

“Pela rivalidade que existe, sempre torcemos contra o rival para tirar sarro dos amigos, enviar memes. Por exemplo, em jogos de Libertadores, mata-mata, etc. comum torcer contra o rival”, opinou.

“Em homenagem ao meu pai, eu prometi no vdeo, a partir daquele dia, torcer pela vitria do Atltico – com exceo dos confrontos diretos contra o Cruzeiro. Ou seja, sou cruzeirense, amo o Cruzeiro, mas agora nunca mais toro contra o Atltico. Em todos os jogos em que o Galo for jogar, eu vou torcer por eles em nome de meu pai”, pontuou.

Por fim, Fbio destacou que o carinho recebido de vrias torcidas, diante da enorme repercusso do vdeo da homenagem, tem dado conforto famlia em meio ao luto pela partida de Francisco.

“Estamos ainda nos acostumando com a ausncia do coroa por aqui. Estamos recebendo muito carinho de vrias torcidas. Isso est sendo muito bom, ajudando demais. Milhares e milhares de mensagens. Tenho certeza que meu pai est muito feliz com todo o carinho que est recebendo”, disse Fbio.

“Que essa homenagem possa reduzir a violncia nos estdios e aumentar a tolerncia entre torcidas”, encerrou.


#Cruzeirense #adota #como #segundo #clube #homenagem #pai #falecido

Leave a Comment

Your email address will not be published.